Uma prova e um monte de dúvidas

27 out

Outro dia estávamos aqui discutindo sobre o quão démodé era xingamentos de gênero, sociais e afim. Todo xingamento é um preconceito. Vivemos num país em que nenhuma diferença, por menor que seja, foi resolvida. Nesses últimos 20 anos – marco que tenho utilizado, para evitar a questão PT versus PSDB – começamos a brincar de construir um país.

Um país forjado por uma elite cruel, os conceitos (constituição) não poderiam dar certo. Nos primeiros momentos em que as diferenças sobre a condição social foram reduzidas, surgiram os problemas que costumeiramente disfarçamos, em música, ditados e outros costumes. Exemplos: “ele é viado, mas é meu amigo”, “uma dama para sociedade, uma puta na cama”.

Uma prova simples, um exame nacional vem a tona e coloca em cheque todos os nossos conceitos. Ninguém se preocupou de questionar o nível de dificuldade das questões, se foi uma prova digna do ensino médio. Pior, não se colocou a tona o quê os alunos do ensino médio acharam sobre a prova. Apenas emergiu dessa condição de idiotia as palavras do nosso ódio recalcado.

Apesar dos pesares, continuemos preferindo nas relações interpessoais viver com as mentiras. Como podemos crescer e mudar a condição social, se na brincadeira de escola, “polícia pega ladrão”, todo mundo quer ser o ladrão, porque é esperto e foge de quem oprime? Como podemos mudar se precisamos voltar a debater as mesmas questões, já que elas nunca se encerram? Aquilo que não encerramos é nossa vontade de continuar… consciente ou não.

Não me isento de nada que digo, sou fruto dessa cultura. Elaboro, reproduzo e a questiono o tempo todo. Tenho tentado xingar menos, mas com tanto opressão, como descarregar tanta raiva? Parece que isso volta o tempo todo. Quanto mais os palavrões saem da boca, mais opressor me sinto.

Todavia, o ENEM prova a cada dia que o método de avaliação está certo. Agora fica a dúvida: o método de ensino básico, está certo?

Sobre os comentários da prova, aqui direcionado àqueles que falaram mal dela. Como esperar de uma sociedade que nos últimos 20 anos tiveram seus problemas básicos (saúde, educação, água, luz e internet) resolvidos bem ou mal? SEI QUE NÃO ESTAMOS NENHUM EXEMPLO DE INFRAESTRUTURA. Todavia, bem ou mal o acesso a esses setores foi alcançado. E, não vou usar dados para provar isso, seria um texto acadêmico, e não de opinião.

Chegamos ao comodismo. Uma sociedade preguiçosa, obviamente, não mexeria um dedo para virar uma página e ler nada. Reducionismo. Na verdade para 36 milhões o acesso a comida foi um fenômeno estranho. Motivou para uns, gerou comodismo para outros. Todavia, o momento mais marcante é o acesso a educação. Temos percebido como tudo funcionava/funciona no Brasil. Graças a leitura. Isso gera mais “estranhismos”. A relação de pertencimento cada dia faz caminhos antagônicos, alguns reivindicam a nação, outros querem fugir disso tudo. Por motivos diversos.

E a prova? Apenas a ponta do iceberg. Para aqueles que deitaram em berço esplendido, fica confuso. Como as elites que criaram as diferenças podem ser atacadas pelo próprio estado inventado por eles? Acho que é essa questão. O narcisismo das pequenas diferenças em Freud (Agradeço aqui a leitura rápida repassada pelo meu amor, Raisa Arruda). Vale citar REINO & ENDO: “Tal narcisismo poderia ser a chave para o entendimento de uma hostilidade inerente e constante nos vínculos humanos (com a exceção da relação mãe-filho)”. Parece que as elites se revoltam pois é tomada dela o direito de dominar os meios. Para piorar tudo, a classe média que opera com o status de poder, se usa do narcisismo das elites para se revoltar contra o estado que não a representa. Apenas a usa. LOUCO. E uma parcela da população que ascendeu da miséria, com medo de voltar pra ela, usa do discurso narcísico das elites como se os representassem. MAIS LOUCO AINDA. O que isso resulta? Esse pandemônio de besteirol que surge nas mídias sociais reclamando da prova, do governo e dos seus medos.

Tudo isso, para camuflar uma única coisa, sei lá se consciente ou inconscientemente, que esse estado há 20 anos tem tentando minimizar as diferenças e tem uma parcela significativa da sociedade que quer manter essas diferenças a todo custo. Há 3 anos disse em sala de aula. Estamos em Guerra Civil. Só que nessa guerra não existe o lado A e o B. São várias trincheiras, vários lados.

Cansei… deixo esse texto inacabado e sem nenhum revisão, para criar coragem de revê-lo e lapidá-lo a posteriori!

Abraços,

um velho capitão

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