Batatinha versus Valberino

8 dez

Saudades da antiga primeira série do primeiro grau (hoje, 2º ano do ensino fundamental). Tia Adriana. Um universo chamado Colégio Cearense Sagrado Coração. Onde na prova de estudos sociais aprendíamos a rosa dos ventos pelo nome das ruas. A Duque de Caxias estava ao norte do colégio, Clarindo de Queiroz ao sul, Visconde do Rio Branco, leste e Jaime Benévolo ao oeste.

Na mesma sala da 1ª série estudei também a sétima. Tinha tanto medo de estudar com os mais velhos que pedi no outro ano para ir para outro colégio. Para você caro leitor, que não sabe, no Colégio Cearense se estudava de tarde da 1ª série à 6ª série. E, pela manhã, dá 7ª série até o 3º Científico (3º ano do ensino médio, atualmente). Queria crescer distante de onde eu sempre fui pequeno. Quem sabe amadureceria lá fora… ali eu entrava de cabeça baixa envergonhado de encarar os estranhos da manhã.

Sobre meus medos e o amadurecimento isso é algo que vencemos e aprendemos a conviver com tempo. Com a vida. Temos que enfrentar os nossos medos. De preferência, não podemos tentar enganar a nossa consciência. Não adianta mentir para os outros, muito menos para si mesmo. Hoje, vejo muitos que tem medo e tentam ludibriar a vida. Acreditam que se eu der um ponto e ele passar, isso basta. É uma vitória mentirosa que um dia a vida irá cobrar da pior forma. Para cada pecado, uma pena. Não se engane.

Enquanto Deus brincava de gangorra no playground, certa manhã cheguei mais cedo e indo para sala da turma C, Batatinha me parou. O ano era 1987, eu ainda nos auges dos meus 6 anos de idade e preocupado sobre meus dentes de leite que teimavam em cair e eu sentir dor. Disse meu querido amigo, Rodrigo, estou brigado com Valberino. Ele disse que eu era chato e vive implicando comigo. Eu não gosto dele. Estou de mal. De qual lado você vai ficar, terminou me perguntando. Eu assustando respondi que não iria ficar de nenhum dos lados. Eu gostava dos dois, e perguntei, por que eles não poderiam fazer as pazes e voltarmos a brincar todos juntos. De fato, isso logo aconteceu. Besteira de criança se resolve fácil.

Hoje, 2014, vejo pessoas que são queridas, já foram queridas, brigando a toa. Pela asneira do disse e me disse. Com medo de enfrentar e admitir seus erros. Criar conchavo para um deixar de falar com o outro. E, o besta, aceitar sem saber de nada, só para agradar o amigo em desafeto. Cresça. Batatinha fazia isso, mas ele tinha 6 anos. Vocês, não.

Nos últimos anos resolvi não mais esconder nada, se me perguntam eu falo quase tudo, não irei guardar minhas dores. Explico meus erros e minhas escolhas. A primeira coisa que me faz mal, são minhas mentiras. Escolhi não mentir e não guardar nada que não possa ser dito. Nessa linha tênue da verdade, o grande cuidado é não prejudicar terceiros.

Se estás curioso para saber sobre o quê, ou de quem estou falando, fique calmo e pare de fazer conjecturas. O texto nasceu no intuito de refletir sobre o que queremos fazer das nossas vidas. Já que é Natal, juntei uma história verdadeira que sempre me lembro da minha infância e é um paralelo com um pobre coitado que sempre escuto histórias dele e eu não é meu amigo. Sei de ouvir falar. Então, não posso citar nomes. ratifico: “o grande cuidado é não prejudicar terceiros”

A moral das histórias é: É Natal… cresça, pare de fazer disse-me-disse. Se quiser saber, pergunte. Se quiser tomar partido, se exponha. MAS, se quiser ser feliz, aprenda a perdoar àqueles que te tem ofendido.

Feliz fim de ano a todos,

muita paz, muito amor e muita tranquilidade.

até 2015.

Um velho Capitão.

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2 Respostas to “Batatinha versus Valberino”

  1. Israelle 08/12/2014 às 12:29 pm #

    Engraçado que quando eu vi o título, fiquei puxando pela memória, quem eram esses personagens na história, “Batatinha”, “Valberino” kkkkkkk. Como não lembrei, resolvi ler para conhecê-los.

    Desejo o mesmo para você professor.
    Paz, amor e tranquilidade! :)

    Boas festas!!!

  2. Raisa Arruda 08/12/2014 às 8:43 pm #

    Quanta saudade dos teus escritos. Adorei. E sou feliz de acompanhar, tantas mudanças, tantos retornos a si mesmo, e ver você mais feliz, um pouco mais a cada dia.
    E é um exercício medonho de abrir mão do Ego, para perdoar, e se ver livre, já que o ego nos aprisiona em sentimentos tão infantis, quando podemos ser maiores, mais felizes, e livres. :)

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