Carlos Fico: “O Brasil no contexto da Guerra Fria: democracia, subdesenvolvimento e ideologia do planejamento (1946 – 1964)

24 jul

Segue uma transcrição editada de um dos textos que acho muito interessante sobre o pós Estado Novo:

“Para os Estados Unidos, a situação de ruína européia era totalmente incompatível com seus planos sob uma economia internacional fundada no livre comércio, na conversibilidade da moeda[lembrar do tratado de Bretton Woods, grifo meu] e na abertura de mercados. Tudo isso suponha países capitalistas europeus fortalecidos, aliados militar e politicamente sob orientação dos EUA.

(…)

Porém, nos anos sessenta, mesmo com os sucessos tecnológicos soviéticos aeroespacial (O Sputnik foi lançado em 1957), tornou-se claro que o capitalismo avançava economicamente a passos mais largos, dando margem a um clima diplomático de maior alívio, e à política que se chamou, então, de détente.

(…)

A expectativa era de superação do atraso, em todos os sentidos, percebido por parcelas da elite, que proclamavam a falência do velho sistema e sua incapacidade de enfrentamento da conjuntura externa difícil, criada desde a crise de 1929. Atraso denunciado, também, pelo movimento operário da Primeira República[um movimento muito mais pré disposto ao confronto contra os poderes coercitivos que hoje em dia, mesmo a constituição não dando nenhuma seguridade ou legalidade para o ato, grifo meu], cujas demandas Vargas retrabalhou através de uma operação simbólica que transformou “conquistas” em “concessões”[sensações que eu tenho sobre o governo PT, grifo meu],

(…)

a Constituição de 1946 incorporou mutua da Carta corporativista de 1937, como o caráter tutelador da legislação trabalhista e as medidas restritivas de segurança nacional. Assim, apesar de se viver o pluralismo partidário e as eleições diretas, mantinha-se o sindicalismo corporativo e outras “contribuições da extinta ditadura [até hoje em dia, e passando pela Carta de 1988, grifo meu]

(…)

A população brasileira crescera, passando de aproximadamente 30 milhões de pessoas, em 1920, para mais de 41 milhões, em 1940. Os processos de industrialização e urbanismo aceleraram-se. O tradicional tratamento das questões sociais como “caso de polícia”, corriqueiro nas quatro primeiras décadas da república, não mais se sustentavam. As elites tinha de admitir a participação das “massas”, aceitar como justos certos direitos básicos, materiais ou políticos. O conceito um tanto vacilante de “populismo” tenta dar conta dessa circunstância histórica: o reconhecimento do direito de cidadania de “massas” e a busca, por parte do poder, de neutralização de sua presença, através de manipulações diversas e de certos traços peculiares da política do Brasil(e alhures), como a figura do “chefe carismático”. Uma espécie de trabalhismo industrialista lido como expressão política carente ou subdesenvolvida[Preciso dizer com que isso se parece? Grifo meu]

(…)

Para os Estados Unidos, o Brasil deveria amparar-se em seus recursos internos, mesmo que não descartassem a possibilidade de estudar medidas tendentes a estimular o fluxo de capital privado externo. De qualquer modo, os podidos de ajuda deveriam ser dirigidos não ao governo norte-americano, mas às instituições pertinentes que se iam criando(a Conferência de Bretton Woods, em 1944, criou o Fundo Monetário Internacional, que passou a atuar no ano seguinte).

(…)

Dutra estabeleceu uma política liberal de câmbio, com a esperança de captações expressivas, já que permitia saída significativas de capital. Contudo, dada a escassez de dólares nos países europeus, o que houve foi apenas uma brutal saída de capitais[Parece a proprietária do apartamento para alugar que queria que eu me desfizesse das minhas economias para pagar seu investimento, grifo meu]. Até o final dos anos quarenta, a posição norte-americana não mudaria. [ATENÇÃO A ESSE TRECHO, GRIFO MEU]A impressão que ficou, para o homem comum que, anos depois, refletisse sobre o assunto, foi a de que Dutra gastou as “reservas acumuladas durante a guerra” com a aquisição de traste inútil, até porque a saída encontrada para a liquidação de boa parte dos créditos brasileiros com a Grã-Bretanha foi a aquisição, pelo Brasil, de empresas ferroviárias quase sucateadas, como a Leopoldina Railway e Great Western.

(…)

Sua proposta de planejamento, conhecida como Plano Salte, apresentado ao Congresso, em 1948, de fato não passava de uma tentativa de melhor articulação dos gastos públicos nas áreas de saúde, alimentação, transporte e energia. Era, porém, bastante insuficiente no que se refere aos problemas de infra-estrutura e ao delineamento global de um projeto de desenvolvimento econômico”.

LEIA O TEXTO COMPLETO, CLIQUE AQUI

Abraços,
O Capitão

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: