Um pouco sobre “Le Pain et le Cirque”

9 jun

Para os que gostam de usar esse termo Pão e Circo e não sabem de onde vem e como aplicar desde 1976.

Parte da Entrevista realizada por MARTINE FOURNIER publicada na Folha de São Paulo, 28.6.09

“Em 1976, publicou sua tese “Le Pain et le Cirque” (O Pão e o Circo, ed. Seuil), um estudo fascinante sobre a sociedade romana, que lhe valeu uma cadeira no Collège de France. Desde então escreveu várias obras que unem reflexão epistemológica sobre o conhecimento histórico e análise do mundo greco-romano.”

“PERGUNTA – Em “O Pão e o Circo”, o sr. propõe um estudo inovador do funcionamento político da cidade romana por meio da prática do evergetismo, ou seja, as doações públicas que os notáveis faziam à cidade. Por que escolheu essa abordagem?”

“PAUL VEYNE – A doação ocupava um lugar muito importante na sociedade romana: pão (sob a forma da distribuição de trigo), circo (organização de lutas de gladiadores) e festins públicos para o povo, mas também distribuição de terras, presentes para marcar o início do ano, presentes para o imperador e seus funcionários etc.

A maioria dos monumentos públicos das cidades greco-romanas (anfiteatros, basílicas, termas etc.) foi oferecida por notáveis.

Eu estava convencido de que essas doações não guardavam relação nenhuma com uma tentativa de despolitização e de manobra dos poderosos para afastar o povo da política.

Na sociedade romana, os notáveis não eram senhores que viviam em seus castelos, mas nobres que viviam na cidade -como, aliás, aconteceria mais tarde, na Itália medieval-, e essa nobreza enxergava a cidade como sua propriedade, que ela governava.

Em lugar de embelezar seus castelos, os nobres embelezavam a própria cidade, com o mecenato: construíam monumentos públicos e assim, com sua generosidade, mostravam que eram ricos e poderosos.

Essas doações ostentatórias também eram destinadas a mostrar que a cidade não podia viver senão graças a eles. Não se trata de uma despolitização dos espíritos, mas de um cálculo político mais sábio. Essa minha tese foi inspirada por “Ensaio sobre a Dádiva”, de Marcel Mauss.”

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