Última vontade de reclamar

21 maio

“segundo dispõe o aludido art. 216 da CF/88, transcrito in verbis: “Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira” (PORTO et al, 2009)

de fato, numa cidade sem identidade, todo bem… é passível de deformação, restruturação, ou todas aquelas palavras que indiquem ideia anterior ou reformulação de algo.

destruir não precisamente, significa definir por um fim, algo material. Quando falamos de algo imaterial, a lembrança pode ser retirada de algo, só porque se alterou uma mera edificação, minimamente. Um corrimão, uma escada, um desenho de azulejo. A memória é desmanchada.

Nunca vi uma reforma que salvasse um espaço de memória. Primeiro, porque o termo reforma caí na questão de trazer a tona uma NOVA forma.

Isso sempre me lembra do meu caso com minha nova estante de livros e uma noite de chuva…

Sensações ruins – escrito em 13/4/2011

Por ingenuidade, muitas vezes, a instituição usa esse termo como se fosse conveniente de manutenção de espaço patrimonial. Aprendi outrora que nunca devemos usar termos sem ter a certeza do que queremos com eles. Um espaço identitário não pode ser reformado – e por favor, se não há essa intenção, cuidado com os termos que usa – pela própria concepção que ele carrega.

Sobre tombar e a cidade de Fortaleza, segundo o próprio conceito…

“O tombamento é uma forma de implementar a função social da propriedade, protegendo e conservando o patrimônio privado ou publico, através da ação dos poderes públicos, tendo em vista seus aspectos históricos, artísticos, naturais, paisagísticos e outros relacionados à cultura, para a fruição das presentes e futuras gerações.” (PORTO et al, 2009)

Não existe fruição das presentes e futuras gerações na cidade de Fortaleza. Até que me provem o contrário. Todos os espaços que poderiam servir de concepção patrimonial padecem de historicidade. Ou como diria um velho amigo, que prefiro não citar o nome: “Fortaleza não tem como o tempo o seu norte”.

Como pode uma cidade viver sem história? Parabéns… bem vindo a Fortaleza. Onde TODOS[me arrisco a dizer] os equipamentos culturais com mais de 15 anos de vida estão sucateados. Pelo menos, todos que frequentei na infância e adolescência. Dos anos 1980 até 1990, quase nada se mantêm bem em pé!

Os governantes mais que insultaram o passado…

“É tão natural destruir o que não se pode possuir, negar o que não se compreende, insultar o que se inveja”. (Balzac)

Que deixamos a cidade ao deus dará.

Toda vez que chegamos em Abril e os velhos debates de quando começou a cidade de Fortaleza… dá vontade de dizer, porque brigar por uns anos a mais… SE TODO ANO VOCÊS SE RENOVAM…

A sensação que se tem é que todo ano é o primeiro ano da cidade de Fortaleza. Para não ser tão cruel e a chamá-la de recém nascida o tempo todo… a cidade se renova quadrienalmente, ou a cada dois quadriênios. Uma cidade que não não passa de fraldinha, ou no máximo infantil.

E por que tudo isso?

Essa foi a última briga que tive pela cidade que me acolheu… mas como bem já ouvi, aqui não é sua terra… com não sei bem o que é minha terra, ter a eterna sensação do homem desenraizado territorialmente, a única briga que irei lutar ex nunc é pelo meu filho, pela minha família.

Boa sorte Fortaleza das mudanças… espero que mude sempre, sempre pra melhor!

 

 

Abraços,

Um velho capitão,

agora, apenas didático!

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3 Respostas to “Última vontade de reclamar”

  1. Julio 21/05/2014 às 11:28 am #

    Professor passando pra lhe lembrar so os links dos textos para prova. Senhor pediu para avisa por aqui. Disciplina Historia da Arquitetura I

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