Explicações sobre sátiras, rolézinhos e histórias antigas

21 jan

Recentemente postei no meu facebook uma sátira aos rolézinhos. Falava que o maior rolézinho ocorrido na cidade de Fortaleza – CE, e região metropolitana ocorreu no dia 10 de outubro de 1992. A inauguração da 1ª expansão do shopping center Iguatemi. A sátira começa na relação com o Shopping JK Iguatemi que há 3 dias no O Globo foi noticiado que havia fechado suas portar para evitar o movimento popular adolescente (vide aqui a notícia) e termina no evento por mim descrito quando boa parte da cidade, na época, economicamente ativa – apenas classe média pra cima, lembrem da conjuntura econômica do país e o cruzeiro real – subindo e descendo a escada rolante, fazendo fila para andar de elevador panorâmico e comer bigmac. 

No video recente postado no blog UOL orgulho hetero (click aqui e se assuste com os comentários), as crianças falam em ostentação e flertes. Tem que ter whatsApp. ÓBVIO! Vivemos numa sociedade de consumo, sua anta, é vontade de todos participar disso. Depois que eles conquistaram isso a amargas penas, você está puto?! POR QUÊ?! Estranho mas sei porque a sociedade tem tanta raiva de ver o pobre ganhando dinheiro. Querem saber?! Porque desejavam que os pobres continuassem ser seus escravos na relação de castas que construímos a estado brasileiro. Somos frutos de uma república que consolidou os valores oligárquicos e matou todos aqueles que lutaram contra. Pesquise sobre os movimentos sociais de 1917 até hoje em dia, releia os motivos das quedas e perseguições aos governos que foram ditos populares. (Não vou entrar na questão populismo x popular, américa latina, não caberia linhas aqui, de tão imenso que seria o debate, segue aqui uma bibliografia vasta para você). Sempre vivemos nessa vontade LOUCA de tentar nossos pobres, seja de forma higienista e eugênica ou como agora, perseguindo e desqualificando as classes subalternas.

O rolézinho não é um movimento politizado, por mais que seja político e social. Ele reflete nossas angustias, é maravilhoso mostrar para nós mesmos como somos débis, desejar o visual e não o que de fato sentimos e precisamos. “Sede é tudo, sede [NÃO] é Soda”. Não podemos consumir tudo que nos é mostrado na televisão, mas é assim que somos copulados a acreditar. Como você quer tirar dessa criança o direito de ir ao shopping?! Porque a sociedade de massa já vendeu para ele até TV Claro por R$ 39,90 na favela. Ele tem internet 3G ilimitado por preço irrisório e conexão cretina, ele tem android, ele tem como se locomover e querer viver isso.

O meio que encontramos para evitar essa ascensão vertiginosa foi aumentar e colocar a patamares surreais o padrão de vida no Brasil. Por exemplo, para quem não lembra, a miserável coca-cola na máquina era vendida no dia 1 de julho 1994 por 25 centavos. E o pobre nem entrava no Iguatemi e tinha medo disso. Hoje ela custa 3 reais e você tem nojo quando vê uma pessoa pobre comprando e brincando na frente da máquina de coca-cola. Diz que é brega e coisa de pobre. Mais subir e descer a escada rolante em 1992 não era. O crescimento mais surreal vem na indústria automobilística, para mim. O Celta NOVO em 1994 era vendido por R$ 6.990,00, hoje o mesmo carro USADO do mesmo ano 1994, custa de R$ 6.000 a 8.500,00 e ninguém, nem pobre quer comprar porque pode financiar e comprar um novo a partir de R$ 31.290,00.

O problema é que a sociedade brasileira queria que as classes subalternas limpassem sua sujeira e não frequentassem seus lugares. A sociedade brasileira sente bastante saudade da casa grande e da senzala. Por mais que não tenha vivido legitimamente desde 1888. Ela tenta perpetuar isso há mais de século.

Por enquanto eu vou fazendo chacota do rolezinho das classes abastadas e ficando feliz quando vejo as classes subalternas ocupando os espaços que não eram delas, mesmo que seja de forma consumista reproduzindo o mundo que a reprime.

 

 

abraços,

Um velho capitão!

Anúncios

Uma resposta to “Explicações sobre sátiras, rolézinhos e histórias antigas”

  1. Raisa Arruda 21/01/2014 às 3:30 pm #

    Bonito, viu? É complicado só porque o povo não consegue compreender a lógica do consumo, já vi gente comentando que eles deveriam estar fazendo rolezinho pra comprar comida e ir na biblioteca, mas se nem eles, “ricos”, vão na biblioteca, porque pobre ia querer ir?
    A identificação, a necessidade de se ver incluso, não tem biblioteca como um meio… tem o shopping e as grandes marcas, como um meio… Fiquei besta por ter visto colegas meus compartilhando esse tipo de comentário, e pessoas que se dizem estudar sociedade de consumo, identidade, e “hipermodernidade”…. mas o preconceito sempre encontra uma via pra se manifestar, apesar de toda teoria, né?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: