Sobre nossa zona autônoma temporária

18 jun

Os motins eram movimentos de trabalhadores na França do final do século XVIII. Era comum em momento de escassez de alimento ou quando se sentia desamparado pelo Estado o povo ir a rua para saquear, exigir melhores condições de vida… o que George Rudé chamou de movimento de multidões. Uma ação do inconsciente coletivo. Esse conceito, obviamente, debatido em mais de 400 páginas, sempre foi uma ponte para a leitura de um pequeno livro panfletário de um autor subersivo. TAZ (Zona Autônoma Temporária).

Feito as introduções conceituais, por que eu estou me referindo a esses exemplos? Toda grande mídia vem falando da dificuldade de dispersão popular e tentativa de negociar com os manifestantes. De fato, a primeira interpretação é a crença que essa manifestação advém de um movimento popular, todavia ele emerge de um sentimento comum entre os cidadãos, a insatisfação com o sistema.

Nas últimas semana eu vinha ocitando a ideia do fim do estado, pelo próprio. O mesmo que privatizou todos os seus serviços, perdeu o direito e a relação contratual com o povo, sua representatividade. Fez com que os cidadãos buscassem noutros meios seu conforto, sua segurança, sua saúde e educação. Os trabalhadores sempre querem pão, mas também querem rosas. É função do estado gerir essa necessidade. Nesse exato momento a necessidade de mudança fica clara, porque o gestor não mais tem relação com os geridos. Ele tercerizou essa ação, o povo descontente por esse descaso do novo gestor(as grandes empresas privadas) que só visou uma alta arrecadação e não pensou no desequilíbrio desse contrato poderia gerar uma comoção popular.

voltemos ao movimento de multidão. Pois bem, não é de se estranhar que a população de forma conturbada e em motins vá as ruas pedindo mudança. O que é difícil para os gestores é entender que um estado organizado pode ruir devido a desorganização dos movimentos de massa.

Para Hakim Bay esse momento único, de desorganização pode ser o estopim para uma Zona Autônoma Temporária, os trabalhadores a partir de um inconsciente coletivo pode reorganizar as relações sociais a partir da negação do estado temporariamente. De fato, vivemos um momento de TAZ. Contudo, a mudança exige de nós um novo passo. Para mudar é necessário tomar o reescrever as leis. É FATO que não nos sentimentos mais representados por quem lá estão(congresso, planalto e judiciário). A grande pergunta: Como mudar o status quo de forma pacífica? Essa tem sido minha grande dúvida ultimamente. No Rio de Janeiro a população já provou que pode tomar a casa dos deputados estaduais, mas apenas tomar é uma decisão simples nessa condição “Temporária”. É preciso começar a refletir o que fazer de forma coletiva e sem líderes.

O grande medo que me aflige é que a ideia do descontrole é muito forte, já que não se está claro pelo que está lutando. em 1789, também não se sabia e de lá pra cá o mundo nunca foi mais o mesmo. Podemos estar muito próximo de uma mudança radical, temos que aproveitar esse momento de TAZ.

 

ABraços,

um velho Capitão

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