33 com muita barba, cabelo, bigode e lembranças

2 maio

Muito tempo se passou das ultimas trovoadas, ontem choveu demais. Tanta chuva que as folhas ao chão e as pontas de cigarro foram levadas pela pequena correnteza que surgiu ao longo do meio fio.

Hoje, nas primeiros horas do dia, o encontro com os novos de Amsterdã do Bom Jesus foi bastante saudoso. Lembrei de Ana Spinola, ela havia me levado para conhecer o camiño del Santiago. Comemos um burjão de salmão e algumas cervejas. Fora minha volta à cidade do Salvador. Depois dali, apenas mais um encontro não tanto efusivo, com menos amor.

Quero me recordar de coisas boas. Foi a sensação que tiver quando os novos vieram a mim, contar-me sobre as aventuras que fizeram na minha antiga cidade. Lembrei de uma aventura em Amsterdã do Bom Jesus e uma outra em Camiño del Santiago, na cidade do Salvador.

A primeira remete aos dias normais na prudente de morais longe de dias mominos. Eu estava de frente pra bodega do Vei, era noite, bebia carvalheira com limão e tirava o gosto com queijo do reino e salame fatiado. Típico do Vei. Chegou no recinto um sujeito magro de fome, sujo de rua, segurando uma corda. Ele se trepou um poste e quase perto dos fios, amarrou uma ponta. Foi passando, empurrando um e outro, pedindo licença, atravessou a rua cheia de gente e se trepou no outro poste, do outro lado. Amarrou como amarrou o primeiro, estava montada sua corda bamba. Cerca de 3 metros de altura, da linha aos paralelepípedos da cidade alta. Da época dos holandeses. Enquanto todos bebiam e poucos prestavam atenção, ele se balançou, se detou, saltitou e andou sobre a corda. Cerca de 12 minutos de felicidade circense.

Da saudade dessa primeira lembrança ao burjão de salmão com cerveja gelada. O melhor de tudo é a lembrança dos cheiros. As vezes, sinto vontade de voltar a esses lugares para tentar lembrar dos cheiros que senti naquele exato momento.

Tenho 33 anos, sou feliz por tudo que vivi. E, posso ser enfático no que tenho para dizer; voltar ao passado deve ser um exercício apenas para lembrar das coisas boas. O seu melhor tempo é o agora. Todos que trouxeram o passado para o presente, trouxeram monstros que consumiram suas vidas. Sou muito feliz de carregar comigo minhas memórias. Aos 33 sou feliz por ter tanta história para contar.

Um velho Capitão.

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Uma resposta to “33 com muita barba, cabelo, bigode e lembranças”

  1. Mariposa. 03/05/2013 às 10:49 am #

    Achei lindo, e melancólico, me deu uma saudade. Não sei se a melancolia é só minha, ou se refletiu a sua melancolia como se fosse minha também…
    Apesar de não ser uma pessoa que carrega memórias, ou esqueço ou jogo as lembranças fora, porque o meu melhor momento é sempre agora, tive saudade e vontade de viajar, não pra reviver ou rememorar as situações, mas pelo sentimento que as viagens me causam… acho que a gente podia zarpar nesse submarino, qualquer dia desses! ;)

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