E essa tal liberdade…

11 dez

Depois de algum tempo, resolvi expressar uma dor que andou me consumindo esses dias. O decrépito fim da liberdade.

Somos livres? Não, e não nos orgulhamos de lutar pela liberdade plena. Dos melhores exemplos que já li sobre esse conceito fico com de Ken Knabb, no seu livro “The Joy of Revolution”. Diz o autor panfletário que uma fonte pública é o melhor exemplo de liberdade plena, você pega a quantidade de água necessária para sua família e mantém a torneira fechada para que nunca falte água para ele e a comunidade que usufrui dela.

E por que não usamos dessa tal liberdade? Simplesmente porque o maior princípio moderno é bem estar do Eu. Na hora que tomamos atitudes e legislamos em causa própria, deliberadamente colocamos o outro em segundo plano. E, não nos preocupamos se vamos ultrapassar o limite do direito alheio. O importante sou Eu, a máxima calhorda do que “se é bom para mim, será para os outros”.

Dos aspectos mais cruéis do cerceamento da liberdade, o aspecto intelectual é o mais agressivo. O homem é, de fato, suas ideias. Sem seu pensamento, Descarte, afirmou que deixaríamos de existir. O ato de pensar configura a existência. Se nos é retirado o pensar somos apenas matéria sem vida. Até nos momentos de escravidão social o pensar era a maior expressão da manutenção da liberdade. Poderiam ter tirado o direito a matéria de ir e vir, mas os senhores de escravos não foram capazes de impedir que os escravos negociassem com a ordem escravista.

No momento em que o homem prefere não pensar, não deseja construir suas ideias e prefere usar de recursos esdrúxulos para demonstrar um outro pensamento, ao invés do dele, ele não está simplesmente plagiando alguém. Ele está escravizando seus pensamentos. Nessa sociedade do comodismo a única coisa que a difere da escravidão por dívida da Grécia Antiga é que no período clássico o homem impossibilitado de pagar suas dívidas prefere tirar a liberdade física. Hoje, já que não somos capazes de pensar, preferimos dar a outro o nosso direito máximo. Existir.

Isso fica claro no panfletarismo barato de esquerda e direita contemporâneos. A maioria não emite opinião, a maioria apenas copia e cola a idéia alheia.

Um velho Capitão,
Ainda mais rabugento.

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