Charlie

8 out

São cinco horas da tarde na inefável cidade de Jericoacara, Charlie não para de subir descer as escadas da bela Casa de Areia. Amigos reunidos falam sobre a conjuntura social da velha decadente capital. Michelle ainda é capaz de nos servi mais uma rodada de caipirinhas.

Estou no último degrau, sentado a beira da piscina e olhando o mar. Do lado esquerdo da para ver a grande duna, cartão postal do vilarejo de pescadores que virou paraíso turístico nos últimos 30 anos. Até aeroporto o governo do estado está construindo. Vão trazer o progresso, mas o caminho para chegar àquele lugar ainda é de terra, de dunas, de nenhum asfalto. Sorte da natureza, ou não, já que de uma forma ou de outra estamos rasgando suas vias.

Por do sol na Casa de Areia

O sol já começou a ficar vermelho e caminha com força para o horizonte. Aqui em Jeri o sol se põe no fundo das águas do oceano atlântico. As pessoas começam a se encaminhar para o alto da duna. Da minha distância, mais parece um formigueiro. Trabalhadores que seguem o caminho do desengano, todos queremos ser diferentes, amar a natureza de uma forma diferente, mais do mesmo.

Amamos a duna, o pôr-do-sol, o vento, o mar, menos os estranhos que estão compartilhando esse evento natural ao nosso lado. De fato, somos menos humanos a cada dia. Ontem, no caminho para esse lugar espetacular, em meio a dunas e lagoas o vento carregava uma garrafa de 1,5 litro de água mineral indaiá. Novinha, lacrada, vazia. Tal qual o seu ex-dono, o ser humano.

Muitas fotos, todos seguram o sol, fazem coração em torno dele… ele se pôs, aplausos, assobios, vibraram, vibrei com mais um show da natureza. Todos descem, os amigos que conversavam percebem que o evento acabou e continuamos a falar sobre nós seres humanos, nossos problemas, nossos sonhos e sobre essa tal modernidade. Charlie ainda está admirado com tanto assunto no último andar da Casa de Areia, pede para sua mãe a cama, ela arruma, atento espera, pronto. Duas os três voltas quase ciscando em cima de sua cama na procura da melhor posição. Alê o cobre e logo está ressonando. Ainda bebemos caipirinha e desejamos dias mais justos.

 

O velho capitão do submarino amarelo

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