o começo de uma nova história, um texto para João

3 out

Paciência – Lenine

 

Noite estranha, dia confuso…

Acordei por volta de 13h48, um calor medonho e muito silêncio na casa. Não seria comum para um domingo de família. Nenhum grito de criança ecoava a casa, nem ninguém tentou me acordar saltitando no colchão antes do almoço. Acho que respeitaram meu cansaço do dia anterior. Ou já faz tempo que foram embora. Perceptivelmente, estou só.

Olhei para o celular que estava em cima da mesa para conferir as horas, mensagens, emails e ligações perdidas. A tecnologia nos deixa refém. De um sábado pra domingo sempre é mais intenso as trocas de informações. Ontem me encontrei com Penélope Veredas e falamos sobre nossas vidas. Como andamos distante, como sempre houve um amor, um carinho… uma pitada de curiosidade. Acordei-me pensando nesse encontro.

Penélope Veredas é bonita, se na vida temos um tipo que nos agrada, ela é daquela mulher que agrada as vários tipos de homem. Ela é bonita porque não tem medo dela mesma. Foi a primeira mulher nos últimos anos que chegou para mim e disse-me, João, estou magra demais, não me sinto bem assim, preciso engordar 3 quilos. Eu apenas dei um sorriso, como sorrio com cada palavra dela. Nunca me senti desse jeito, estou surpreso com tanta paz.

Não tinham me deixado assim há tempos, tão encantado. Ela não é daqui, veio por conta de imprecisões da vida. Sinto-me com sorte. Não acreditei que àquele traslado de barco pudesse ser tão frutífero. Foi em 1987, havia chegado da Argélia por problemas com um algo que tinha dado errado no governo federal. Nem me atrevo a chamar aquilo de Estado. Isso é outra história, não vem ao caso. Estava de chegada e fui ver alguns amigos que havia deixado em Porto. Fui de barco, como alguns gostavam de fazer, para lembrar os tempos das galinhas de angola.

Eu estava sentado um pouco mais atrás e percebi uns jovens reunidos, dois rapazes e uma garota. Eles tentavam impressiona-la. Falar coisas interessantes, falar coisas que ela quisesse escutar, enquanto ela estava mais preocupada em admirar a paisagem daquele vilarejo. Ela concordava, sorria, apenas para os jovens acreditar que ela prestava atenção neles. Discretamente eu troquei de lugar e coloquei meus óculos escuros e me posicionei melhor para vê-la e para que os outros não percebessem que eu olhava. E eu olhava aquele cabelo preto liso, aquela boca bonita, carnuda, eu sorria a cada sorriso dela. Foi assim que conheci Penélope Veredas.

Ontem sentados na mesa daquele velho café falamos e tentamos lembrar daqueles tempos passados. Eu não parava de olhar para aqueles olhos puxados com duas bolinhas pretas, bem pretas. Quase não da pra ver a esclera ocular de tão grande era a íris e tão puxado era as pálpebras. Ela me cativa a cada história que ela conta que eu perdi nesses últimos 6 anos. Não era para ter deixado ela ir…

Espero conseguirmos matar toda essa saudade do que não foi nos próximos tempos que virão!

 

Um certo capitão do velho submarino amarelo!

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