Algumas explicações necessárias quanto a música e outras formas de comunicação de massa!

19 set

Cadê o som, Como pode não haver som nesse carro Fugêncio Rodrigues Serna, assim perguntou Maria das Dores quando adentrou pela primeira vez o carro do velho amigo de fuzarcas e afins. Um Corcel II 83. Verde metálico, cor de geladeira da moda, do ano em que aquele carro saiu a primeira vez à rua.

As ruas eram mais calmas, as pessoas não precisavam atualizar seu blackberry ou iPhone a cada 15 minutos para saber se haviam chegado mensagens de amigos ou notas de facebook. Os passos não eram tão largos como hoje. Todavia, cada passada marcava seu tempo, sua paz e sincronia com o mundo em que vivíamos. Acredito que tudo está muito bem relacionado a velocidade da informação. Somos culpados por tentar acreditar que podemos ser conectados com todos nossos mais de 533 amigos que temos nas redes sociais.

Na dúvida de uma resposta coerente Fugêncio ficou calado, apenas riu, enquanto admirava a impaciência de Maria das Dores. Acho que Fugêncio tinha a resposta na manga, ele sempre teve todas as melhores respostas que alguém pudesse dar na hora. Nunca entendi porque ele preferiu ficar calado. Seguiram os dois para a velha cidade, estacionaram o carro em frente a Praça do Arsenal e adentraram a Torre Malakoff. “Nome de colina que virou nome de fortaleza na cidade de Sebastopol que resistiu bravamente na Guerra da Criméia e virou engenho, bolacha e torre em Pernambuco. Batizada pelo povo, sem pompa nem fita, talvez pelo sentido heróico do nome, talvez pelo som.”

Sempre queremos uma resposta coerente e complexa da vida, das pessoas, dos objetos. Sobre o nome da torre, sempre preferi acreditar que era por causa da sua sonoridade.

Enquanto subiam as escadas do primeiro observatório estelar do Império, Maria já havia atendido uma ligação no seu celular, silenciado outra e respondido algumas mensagens. Fugêncio só se preocupou com a hora depois que ela tinha dito que nunca passava de 30 minutos em qualquer exposição. Do alto da Torre Malakoff já haviam passados 1 hora e 17 min – conferidos – que eles conversavam e falavam sobre o espaço, sobre a história e cosmogonias.

Lá em cima o tempo não passa, os carros estão parados, as passadas dos transeuntes são tão pequenas que você percebe que sozinhos, eles não chegam a lugar algum. Fugêncio Rodrigues Serna olhou para Maria das Dores e disse, Está vendo como a vida é interessante, continuou com uma questão, Você sabe que escuto notícias, músicas e histórias todos os dias, em todos os lugares, e sem deixar ela falar ele continuou, Mas poucos lugares me permitem olhar o tempo como eu olho daqui de cima, olhar para minha vida, olhar como eu a observo daqui de cima. Dentro do meu carro eu prefiro ficar só comigo. É o lugar que posso refletir sobre tudo isso que eu só consigo encontrar quando visito lugares especiais como a velha Torre. Se não posso ter isso o tempo todo, preferi construir dentro de minha vida, um lugar que eu pudesse me encontrar.

Já se passavam 2 horas de conversa e algum café preto gostoso, pãozinho delícia, empadinhas, mate batido e a ansiedade de uma resposta ainda tomava Maria das Dores. Não convencia àquela mulher que não ter música dentro de um carro só para poder pensar nele mesmo foi suficiente. Como se não pudesse escutar música e pensar em si. Fugêncio preferia o silêncio, o vazio de tudo para encontrar e recitar as respostas que outro dia ele me contou. E, por isso, aqui estou a falar. Talvez só por ser uma história interessante entre pessoas e o nosso desespero do mundo moderno. Talvez pela vontade de contar alguma história.

O velho capitão do Submarino Amarelo

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Uma resposta to “Algumas explicações necessárias quanto a música e outras formas de comunicação de massa!”

  1. Maria 22/03/2012 às 1:13 pm #

    Esse tal mundo moderno tão gostoso e desesperador!
    Confesso que não me rendi por completo, acredito que já estou velha demais para ser consumida de todo.

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