Cuxiú-preto, um Rio e alguns outros desejos.

13 set

Umas das conversas mais importantes que tive com Pedro Cíbola foi sobre o Chiropotes Satanas, popularmente conhecido por Cuxiú-preto. Um primata de pele muito escura, natural da região meridional da Amazônia. Vive ao lado direito da margem do Rio Tocantins. Numa região um tanto já devastada pelo o homem, o velho familiar do macaco está ameaçado de extinção.

Dizia Pedro Cíbola que os Cuxiús-preto estranhavam o bicho homem. Acreditavam aqueles animais que os racionais bípedes eram capazes de tudo. Sua ignorância quanto a coletividade era a culpada pelos desdobramentos de tanta destruição. Temiam qualquer relação com qualquer um que tentasse se aproximar. No primeiro momento acharam que por os Sapiens terem vindo de mesma família de antepassados, pudessem dialogar com justiça sobre a causa humana; mero engano.

Cíbola falava ardente sobre o primeiro encontro, Eles até em algum momento se viram como iguais, mas a gana de ocupar o espaço alheio, tomar para si o que é dos outros gerou as primeiras guerras. Dizia o cientista político. Os Cuxiús-preto tentaram a priori defender suas casas, as árvores da margem esquerda do Rio. Os Sapiens perceberam o movimento de construção de armas de fogo dos bichos e trouxeram motos-serra. Diziam fazer pelo progresso, era necessário derrubar para construir. Destruir para nascer de novo. E a novidade era prometida como boa. Alguns até acreditaram.

Nas primeiras horas da manhã de dez de novembro de 1904, o último foco de resistência foi destruído. Chamavam-o o cortiço de Cabeça de Porco. Tristes, desamparados, os pequenos primatas pularam na água do Rio e atravessaram a nado para a margem da direita. Por enquanto que ninguém ainda deseja aquele pequeno espaço, os Cuxiús-preto vão vivendo escondidos. Os focos de resistência não existem mais. A luta morreu. As autoridades e os jornais deliberadamente não lutaram pelo direito de todos, protegendo a agressividade e a ganância dos Sapiens.

O Capitão do velho submarino amarelo!

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