Saudades de Telê!

26 jul

O futebol não precisava ser tão burocrático e chato com tem sido. Não precisava mesmo ser 70% preparo físico, 20% tática e 10% técnica. Não precisava MESMO!

Eu ainda lembro daquele meia que parava o jogo no meio de campo e olhava para os lados, calmo, sereno e com uma bola de três dedos encontrava o ponta, ágil, driblava, ia na linha de fundo cruzar pro centroavante, fazer o gol.

Hoje é tudo aquele embolado no meio de campo. Corre para lá, marca daqui, rouba a bola e contra ataca. Chegamos ao ponto de desarmar a bola do adversário ser o fundamento principal do jogo. Não, por favor, eu ainda quero o passe. A beleza do passe. O drible como uma situação de jogo. E não a força do desarme.

Sinto saudades do tempo que o futebol se dividia em 3 pedaços de campo. A defesa, o meio de campo e o ataque. Por isso, aprendi que existia o 4-3-3, 4-4-2, 3-5-2, 3-4-3. Agora resolveram dividir o meio de campo. Entre os que marcam na frente e os que marcam depois. E inventaram o 4-2-3-1. Se reclamávamos em 1982 que faltava um ponta direita. Imaginem agora. FALTA ATACANTES. Cadê os pontas?! Põe ponta Telê!

Ninguém me convence que Raí era jogador de meia, ele sempre foi um atacante no 4-3-3 do São Paulo. Só Parreira para destacar ele para jogar no meio de campo em 1994. Tentaram o mesmo com Rivaldo, sorte que em 2002 deixaram ele ser atacante. Na meio, pedem mil vezes por Xavi e Iniesta em todos os times do mundo. E ainda queremos Lucas Leiva e Ramires. Ou Felipe Melo e Gilberto Silva seriam melhores?

Aos deuses a sorte. Ainda sou mais feliz com o gol de barriga do Renato Gaúcho na final do campeonato carioca de 1995, do que esses gols burocráticos que nascem da roubada de bola na marcação no campo de defesa adversário que o Corinthians tem feito. O futebol anda muito chato.

Não faço questão de perder por conta do acaso. Por mais que não exista subjetividade num jogo tão óbvio. Os melhores são os que alcançam o objetivo. Não faz mal não ser o melhor, na verdade, sinto falta da paz que se jogava antigamente. É sempre agoniante assistir uma partida de futebol. Não é mais o locutor de rádio que corre sozinho. Os jogadores entraram na mesma velocidade transmitida pelo radialista.

Tenho 31 anos e acho que está chegando minha hora de me aposentar como telespectador de futebol. Já nem vibro mais quando o meu time faz gol. Por mais que goste de ver todos os jogos. Estou mais na fase de aproveitar ao máximo, pois minha paciência com isso que estão chamando de futebol está acabando.

Acho que resisto mais uma copa do mundo. Mas por favor, põe mais atacante. Parem de burocratizar o meio de campo e voltemos aos tempo que se corriam menos e jogavam mais.

 

Rodrigo Fuser

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