Fortaleza Surreal

11 maio

Esse fato ocorreu de fato, no dia 8 de  maio de 2008, mas foi bom relembrar… e lembrei por conta de um acidente que ocorreu hoje com um amigo e soube que as pessoas foram instruídas pela seguradora para mentir para que alguém levasse o pato. No caso, não os mentirosos!

A humanidade anda meio perdida… como já criticou Renato Manfredini Júnior a uma realidade posta, “amar o próximo é tão demodé”. Fortaleza anda na beira do caos, tenho certeza disso. Todavia, antes que venham falar que só sei reclamar da cidade que vivo e não nasci, estou apenas descrevendo um fato que vi. As pessoas andam a flor da pele. A educação, na maioria dos casos, mandou lembranças.

Eu estava indo para a sessão de acupuntura e deparei com uma das cenas mais surreais dos últimos tempos. Estava no sinal da av. Sebastião de Abreu com Av. Pe. Antônio Thomas, sentido leste/oeste. Nesse sinal, quem está na posição que eu me encontrava de atravessar o cruzamento, necessariamente, tem seu carro posto em rampa. Portanto, necessário você usar algumas das aprendizagens básicas da auto-escola; sair de uma situação de carro parado em ladeira, progredir sem declinar, que assim seja!

Estacionado, com o freio de mão puxado, eu estava do lado de um gol, modelo antigo, anos 80, quadradão. A motorista vizinha, uma senhora de mais ou menos 45 anos com cara de abusada debatia fervorosamente alguma banalidade com sua amiga no passageiro, quando resolveu soltar um pouco o freio e provocar o medo do carro atrás. Um corsa sedan, bem bonitinho, carinha de novo, pedindo um arranhão, dirigido por uma dondoca daquela de brincos e colares bem espalhafatosos. A mulher nervosa, logo soltou a buzina (detalhe importante: dizem que em Fortaleza os carros tem buzina na primeira marcha, e no sensor de cruzamento). Nada estridente, apenas um alerta, caso a senhora da frente não tivesse percebido o declínio do carro.

Ora vejam, reação estupenda e surreal foi ver a mulher xingar o mundo por conta de escutar um leve “poomm” e decidir deixar o carro descer até estrondosamente ir de encontro ao pacato corsan Sedan que esparava sua vez de passar o sinal. Assustada a dondoca soltou-lhe a buzina e o alerta passou a ser percebido por todos ao redor. Só se escutou o estalar seco do carro de metal contra o plástico do mundo moderno, vulgo, o corsinha (por favor, não pense que estou a defender os carros mais novos, são apenas fatos ilustrativos e no intuito de divertir o texto). A dona do gol quadradão ainda soltou o verbo, “É pra aprender a não buzinar mais”. Nessa hora o sinal abriu e ela calmamente engatou a primeira, sem buzina, e foi embora.

Eu perplexo assisti a cena de camarote, mas tinha que seguir, vi que não tinha sido cometido nenhum pecado contra a lataria do carrinho bonitinho de madame, então, segui. Fiquei a pensar, o que leva tamanha brutalidade nos dias de hoje? Será que estamos vivendo o fim dos tempos? Exagerado, quem sabe… mas é triste acreditar que tenham pessoas do gênero. Provocam acidentes ou geram conflitos apenas porque se acham melhores ou maiores que os demais.

Para terminar deixo uma frase de Oscar Niemeyer para reflexão: “e os homens mais próximos, mais amigos, iguais principalmente”

Acho que falta isso, perceber que somos todos iguais…

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