Um pouco de História: Ficamos para trás!

27 abr

Ontem numa mesa de boteco percebi o quanto ainda sou indignado e uso até de formas escusas para convencer quem queira do certo em relação a História. A briga é boa. Achei que havia deixado um pouco de lado minha formação, todavia o sentimento de defender o que aprendi como certo é maior.

Lembro de um professor de cursinho que dizia para mim que a História que se aprendia na universidade era diferente da aprendida nos colégios. A História do colégio servia para o vestibular e a da Universidade para os acadêmicos. E, para que servia de fato a História? Ninguém gosta mais de saber de onde viemos, quem somos, por que estamos aqui.

Voltemos a ontem, pela segunda vez em duas semanas, escutei de pessoas que o problema do Brasil está nos portugueses. Para mim, essa é a velha lorota que o vaso quebrou porque era ruim, e não porque você derrubou. A velha história da colônia de exploração e povoamento. Fica no ar, as perguntas. Se era colônia de povoamento, por que os judeus recifenses fundaram New York? Por que na colônia de povoamento das trezes colônias inglesas havia escravos e monoculturas de algodão e outros produtos para a exportação dentro do pacto colonial? Como você consegue explorar um território sem povoamento? Havia naquele período robôs automatizados que pudessem explorar as riquezas naturais sem povoamento humano? E o mais contudente: Por que os colonos ingleses se revoltaram contra a taxação do Chá e isso serviu de estupim para o início da Guerra de Independência das Treze Colônias? Vale lembrar que a taxação vinha como imposição da metrópole para a colônia. Isso não seria uma exploração colonial?! Qual seus conceitos?!

Vamos rever uma questão sobre 1. desenvolvimento industrial e 2. perpetuação da monocultura exportadora. Como esses dois modelos econômicos se desenvolvem? O primeiro necessita de fato de minifúndios produtivos e variáveis. A concentração de renda dificulta o crescimento e o investimento na produção. Qualquer dúvida e vontade de se aprofundar vale a pena ler a obra de Max Webber “O Espirito do Capitalismo e a Ética Protestante”, outros volumes interessantes são: “A Era do Capital”, “Os Trabalhadores”e “Mundos do Trabalho” do E. Hobsbawm e “Costumes em Comum” de E. P. Thompson. O segundo se aplica quando há uma manutenção de latifúndios produtivos e bastante concentração de renda. Também há uma necessidade de maior exploração de mão de obra, nesse caso o trabalho compulsório é visto com bons olhos. Para Jacob Gorender o acumulo primitivo de capital nessa segunda opção é gerido pela aquisição de escravos. É o traficante que está gerando riqueza para o Estado. A manutenção do uso dessa mão de obra não é favorável para o latifundiário que apenas acumula dívidas para aquisição desse “produto”. Para entender melhor e aprofundar, sempre curti ler um livro organizado por Carlos Guilherme Mota “Viagem Incompleta: A Experiência Brasileira v.1 e 2”

Como ressaltei fervoroso ontem, o modelo industrial estadunidense sofre seu primeiro boom quando o governo da recente pátria EUA incentiva a marcha para o Oeste, o que desenvolveu a região do norte. O crescimento industrial baseado nos minifúndios gerou fortes divisas para o norte da nova república, sufocando o sul do país. A tensão criada por esse desenvolvimento provocou posteriormente a Guerra de Secessão (1861-65). Expliquemos assim de forma bem rasteira. Enquanto isso o Brasil sofreu um revés muito importante. No ato da criação da Lei Eusébio de Queiroz que impedia o tráfico internacional de escravos, o dinheiro aplicado na compra de escravo, que já salientamos, no acumulo primitivo de capital, ficou sem função, onde ser aplicado. Depois de alguns debates e contrariando os pensadores liberais se criou a Lei de Terras (Um texto interessante está na Revista Eletrônica do Arquivo do Estado de SP, click aqui para ler mais!). A nova lei servia para manutenção do modelo de acumulo primitivo de capital, a manutenção de latifúndios e a impossibilidade do gerenciamento de um capital fluxo, base do capitalismo liberal. O dinheiro que você lucra deve ser investido em mais desenvolvimento. Já diria um velho professor meu, dinheiro no bolso, guardado debaixo do colchão não é prática de um capitalista e sim de um mercantilista.

MAS, você ficou com uma dúvida. E, por que diabos a Inglaterra e Holanda se preocuparam tanto em gerar esse capital fluxo e a Espanha e Portugal não, e por isso os dois primeiros são tão ricos hoje e os dois segundos tão pobres? Se eu tivesse uma colônia que durante 300 anos me desse riquezas e mais riquezas, também acreditaria que meus recursos nunca se esgotariam. É a mesma coisa que eu ganhar 70 milhões da mega-sena hoje e não aplicar esse dinheiro e todo dia gastar 100 reais… pode ser que eu ainda tenha dinheiro disso tudo quando morrer, mais alguma geração minha vai acabar com isso!

O erro do Brasil está em nós mesmos, em como gerimos nossas riquezas. E não no colonizador. Se o vaso quebrou, foi porque eu derrubei e não porque quem construiu. Você que faz sua história!

Abraços,

Rodrigo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: