Um pouco de bom senso

14 mar

Ontem fui comer com um grande amigo e minha namorada, numa padaria razoavelmente moderninha da cidade de Fortaleza. Como é bem frequentada estava entupida de carros nos possíveis estacionamentos. Nessas horas me lembro de algumas aulas hilárias do mestrado, sobre modelos de sociabilidade que permeiam a metrópole devido ao seu espirito sertanejo. O sertão inveja a capital cearense todos os dias.

Vejamos o melhor exemplo da alta sociedade alencarina e sua cobiça por automóveis caros. Em um cidade metropolitana e burguesa a expressão de riqueza pode estar no seus meios de transporte. Com um fraca frota de viação e a inexistência de um metrô a maior parte do transporte urbano ocorre através de carros particulares.

É nesse aspecto peculiar que desenvolvo uma tese antiga. O seu carro são suas ideias. A frota de carro de uma cidade é a concepção ideológica dela. É comum em grandes metrópoles mundiais com trânsito caótico os donos de seus possantes deixem o luxo em casa e prefiram andar em carros mais econômicos, menos poluentes e de fácil estacionamento.

Em Fortaleza parece que andamos na contramão desse conceito. Quanto mais rico o novo burguês fica ele traz consigo a concepção do seu sertão de dentro de si. “tenho 300 mil reais, quero comprar um carro”. Eu logo imaginei um Mercedes, um Jaguar, até uma Ferrari usada. Mas não, a ordem do consumo aqui vem da mentalidade do interior. Claro que o asfalto citadino ajuda. Os 4×4 são os carros mais vendidos na classe A de Fortaleza. Se é pra comprar carro caro, compre um Land Rover, Cayenne, até um Hummer. A ideologia do sertão é preponderante na cabeça da sociedade aristocrata local.

Se na mente desses novos burgueses ter um 4×4 é sinal de status. Como eles podem ratificar o poder avantajado dos seus bolsos. Podemos esperar o melhor deles. Mesmo não nascendo ou vivendo em terras sertanejas a forma de conduzir sua vida e seu carro tem que ser igual. Para não dizer que estou mentindo vale a pena olhar as fotos a seguir!

A primeira foto é algo comum do meu dia a dia. Pessoas que se acham o dono do mundo. Não respeitam o que eles também são sem os seus possantes. Ao sair do seu carro, o motorista passa a ser um pedestre. Entretanto, o sujeito não consegue se enxergar assim. Prefere passar por cima do seu próprio direito e espaço. Esse é o exemplo corriqueiro no entorno da UNIFOR. Isso é a situação mais boba e comum. Imaginem o resto da falta de educação daqueles que trafegam por ali.

A segunda foi o exemplo do riquinho espaçoso. Descontente com o espaço interno de sua F250 ele

preferiu ocupar duas faixas de carro e além disso tomar parte da faixa de pedestre. É muito espaço para uma pessoa só.

Não sejamos hipócritas de dizermos que não cometemos algumas infrações de trânsito. Acho que até algumas são permitidas dependendo do horário. Como algumas já foram regulamentadas; atravessar sinal vermelho depois das 22h com velocidade inferior a 30km/h.

O que venho aqui reclamar é a falta de bom senso e sentimento de que tamanho e poder podem se sobrepor ao direito de ir e vir dos outros. Para terminar fico com a lembrança de um sujeito no seu Mercedes ontem, nesse mesmo reduto que por ventura motivou a pensar nesse post, parou em fila dupla enquanto sua mulher comprava remédios na farmácia ao lado, dificultando o fluxo, apenas para saciar seu comodismo. Acredito que se questionando ele venha a dizer. Mas foi tão rapidinho ninguém achou ruim! Rá! Palhaço!!!

 

 

Abraços,

Rodrigo Fuser

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